- O visto D8 permite que trabalhadores remotos não pertencentes à UE/EEE/Suíça vivam em Portugal e inclui o «reagrupamento familiar», permitindo que cônjuges, filhos e pais dependentes se juntem ao titular do visto principal, desde que cumpram os critérios de elegibilidade e financeiros. Os familiares elegíveis incluem cônjuges ou parceiros legalmente casados, filhos menores (menores de 18 anos), filhos adultos dependentes (18-21 anos, solteiros e a estudar a tempo inteiro) e pais dependentes.
- Os requisitos financeiros aumentam com a inclusão da família: o requerente principal deve comprovar um rendimento mensal mínimo de 3.680 € (quatro vezes o salário mínimo português de 2026), mais 50% para o cônjuge (5.520 € no total) e 30% (1.104 €) por cada filho ou pai dependente, juntamente com limites de poupança que aumentam em conformidade (11.040 € de base, 16 560 € com cônjuge, mais 3312 € por dependente adicional). Todos os rendimentos devem provir de trabalho remoto ou freelance para entidades não portuguesas.
- O processo de candidatura envolve o pedido de visto no consulado português, incluindo a recolha de dados biométricos, seguido do pedido de autorização de residência em Portugal através da AIMA. Os documentos devem ser apostilhados e traduzidos para português, incluindo prova de relação, trabalho remoto, rendimentos, seguro de saúde (cobertura de 30 000 euros), registo criminal limpo e alojamento.
- Os cônjuges com o visto D8 estão sujeitos a restrições de trabalho, sendo-lhes apenas permitido trabalhar à distância para empresas não portuguesas; o emprego local exige vistos de trabalho ou de procura de emprego separados. Após a aprovação da residência, as famílias beneficiam do acesso aos serviços públicos portugueses, como a educação e os cuidados de saúde, com opções de ensino que vão desde escolas públicas portuguesas a escolas internacionais e privadas, embora existam desafios linguísticos.
Trazer a família com o visto D8: Um guia completo para nómadas digitais
Este artigo aborda o processo de inclusão de membros da família no Visto D8, cobrindo a elegibilidade, a documentação, as opções de escolaridade, as restrições de trabalho do cônjuge e os locais em Portugal adequados para famílias. Também abordaremos desafios como a inscrição de crianças em escolas internacionais e a resolução de obstáculos burocráticos, garantindo que está bem preparado para a mudança da sua família para Portugal.
Elegibilidade para inclusão da família no visto D8
Para incluir os membros da família no visto D8, o requerente principal deve cumprir os principais critérios de elegibilidade do visto e apresentar provas adicionais de capacidade financeira para sustentar os dependentes. Os membros da família elegíveis incluem:
Requisitos principais de elegibilidade:
- Trabalho remoto: O candidato principal deve ter um emprego remoto ou trabalho freelance para entidades fora de Portugal, como contratos de trabalho ou acordos com clientes.
- Limite de rendimentos: Um rendimento mensal mínimo de 3.680 € (quatro vezes o salário mínimo português em 2026). Para inclusão da família, é necessário um rendimento adicional: 50% a mais (5.520 € no total) para um cônjuge e 30% a mais (1.104 €) por filho ou pai dependente.
- Poupança: Um saldo bancário de pelo menos €11.040 (12 vezes o salário mínimo de €920). Para famílias, acrescente 50% para o cônjuge (total de €16.560) e 30% (€3.312) por dependente.
- Registo criminal limpo: Os candidatos e os membros adultos da família devem apresentar um certificado de registo criminal limpo do seu país de origem ou do país de residência nos últimos cinco anos.
- Idade: O requerente principal deve ter, pelo menos, 18 anos de idade.
- Seguro de saúde: É necessário um seguro de saúde internacional com uma cobertura mínima de 30 000 euros, válido durante pelo menos um ano, para todos os membros da família.
Processo de candidatura e onde se pode candidatar
O processo de pedido do visto D8 envolve duas fases: a obtenção do visto num consulado português e, para residência de longa duração, a sua conversão numa autorização de residência em Portugal. Os familiares podem solicitar o reagrupamento familiar simultaneamente com o pedido de visto do requerente principal ou após a aprovação do visto do requerente principal.
Documentação necessária
A documentação para inclusão familiar baseia-se nos requisitos do requerente principal, com provas adicionais de laços familiares e apoio financeiro. Todos os documentos devem ser apostilados e traduzidos para o português.
Documentos do requerente principal:
- Passaporte válido (válido por pelo menos seis meses para além da estadia prevista).
- Formulário de visto D8 preenchido e assinado (formulário de visto nacional).
- Duas fotografias recentes tipo passe.
- Comprovativo de trabalho remoto: Contrato de trabalho, acordos de freelance ou contratos com clientes que comprovem que o trabalho é efectuado para entidades fora de Portugal.
- Comprovativo de rendimentos: extratos bancários dos últimos três meses que comprovem um rendimento mensal mínimo de 3.680 €.
- Comprovativo de poupanças: extrato bancário que mostre pelo menos 11 040 € (ou mais para famílias).
- Seguro de saúde: Apólice internacional com uma cobertura de 30 000 euros, válida por um ano.
- Certificado de registo criminal limpo do país de residência ou de origem.
- Comprovativo de alojamento: contrato de arrendamento, escritura da propriedade ou carta-convite do anfitrião (não são aceites reservas do Airbnb ou de hotéis).
- Carta de motivação explicando as razões para se mudar para Portugal.
- Declaração assinada em que se compromete a respeitar a legislação portuguesa em matéria de imigração.
Documentos adicionais de membros da família:
- Passaporte válido para cada membro da família.
- Comprovação de vínculo familiar: certidão de casamento para cônjuges, certidão de nascimento para filhos ou certidão de nascimento comprovando dependência para pais.
- Comprovativo de dependência: Para filhos adultos, comprovativo de matrícula em curso de tempo integral; para pais, declaração de dependência financeira.
- Seguro de saúde para cada membro da família (cobertura de 30 000 euros).
- Certificado de registo criminal limpo para os membros adultos da família.
- Comprovativo financeiro adicional: extratos bancários que comprovem um rendimento 50% superior para o cônjuge (5520 €) e 30% por filho ou progenitor (1104 €).
- Carta de acompanhamento para os dependentes, fazendo referência à documentação do requerente principal.
Níveis salariais e requisitos financeiros
O visto D8 exige um rendimento mensal estável de, pelo menos, 3.680 euros, proveniente de trabalho remoto ou freelancer para entidades não portuguesas. Para famílias, o limite financeiro aumenta para garantir que o requerente principal possa sustentar os dependentes sem depender de recursos portugueses:
Esses montantes devem ser comprovados através de extratos bancários ou documentos financeiros relativos aos três meses anteriores ao pedido. As poupanças podem inicialmente ser mantidas em qualquer banco SEPA, mas devem ser transferidas para uma conta bancária portuguesa para o pedido de autorização de residência.
Tempo de processamento e taxas
Tempo de processamento:
- Pedido de visto: 60-90 dias desde a apresentação até à aprovação, incluindo a análise da AIMA. Podem ocorrer atrasos devido ao elevado volume de pedidos ou à documentação incompleta.
- Autorização de residência: 60-90 dias após a nomeação da AIMA em Portugal.
Taxas:
- Taxa de pedido de visto: €90–€120 por pessoa, dependendo do tipo de visto (estadia temporária ou residência).
- Taxa de autorização de residência: aproximadamente € 170–€ 180 por pessoa para a autorização inicial e € 72 para a emissão do documento.
- Custos adicionais: taxas de apostila, tradução de documentos, seguro de saúde (a partir de € 14/mês) e obtenção do número de identificação fiscal português (NIF).
Opções de escolaridade para crianças
Portugal oferece diversas opções de ensino para os filhos dos portadores do Visto D8, tanto para a integração local como para os currículos internacionais. No entanto, a inscrição das crianças nas escolas pode apresentar desafios, tais como barreiras linguísticas ou vagas limitadas nas escolas internacionais.
- Escolas públicas: gratuitas para filhos de residentes com idades entre 6 e 18 anos, com ensino principalmente em português. São ideais para famílias que buscam imersão cultural, mas podem exigir apoio no idioma português para crianças que não são fluentes. Entre em contacto com as câmaras municipais locais ou com o Ministério da Educação para obter detalhes sobre a matrícula.
- Escolas Internacionais: Disponíveis em Lisboa, Porto e Algarve, oferecem currículos em inglês ou bilingues (por exemplo, sistemas IB, britânico ou americano). As mensalidades anuais variam entre €5.000 e €20.000. As opções mais populares incluem:
- Escola St. Julian's (Lisboa): Currículo britânico, idades entre 3 e 18 anos.
- Escola Britânica do Porto (Porto): Programa IB, idades entre 4 e 18 anos.
- Nobel International School Algarve: Currículos mistos, idades entre 3 e 18 anos. As inscrições podem ser competitivas, por isso inscreva-se com antecedência (6 a 12 meses antes). Normalmente, é necessário apresentar comprovativo de morada e histórico escolar.
- Escolas privadas de português: Oferecem currículos em português com alguns programas em inglês. As propinas são mais baixas do que as das escolas internacionais (3.000 a 10.000 euros/ano).
- Ensino doméstico: Legal em Portugal, mas requer o registo junto das autoridades locais e o cumprimento das normas nacionais de ensino.
Desafio: Crianças que não falam português podem ter dificuldades nas escolas públicas. Considere aulas particulares de português ou escolas internacionais para uma transição mais suave. Comunidades de expatriados em plataformas como a InterNations podem fornecer recomendações de escolas.
Restrições de trabalho do cônjuge
Um desafio significativo para as famílias é lidar com as restrições de trabalho dos cônjuges sob o visto D8. Os cônjuges incluídos através do reagrupamento familiar recebem autorizações de residência, mas enfrentam limitações no emprego:
- Apenas trabalho remoto: Tal como o requerente principal, os cônjuges só podem trabalhar remotamente para entidades não portuguesas. Não podem aceitar empregos locais ou prestar serviços a clientes ou empresas portuguesas.
- Opções alternativas: Os cônjuges podem solicitar um visto de trabalho separado (visto de trabalho) ou um visto para procura de emprego (visto para procura de trabalho) se desejarem trabalhar localmente. Para isso, é necessário apresentar uma oferta de emprego ou comprovante de qualificações. Consulte o site da AIMA para obter mais detalhes.
- Regime fiscal para residentes não habituais (NHR): Note que o regime NHR terminou para a maioria dos novos requerentes a partir de 1 de janeiro de 2024; cônjuges com rendimentos remotos ainda podem beneficiar das regras fiscais gerais, mas recomenda-se aconselhamento profissional.
Desafio: A restrição ao emprego local pode limitar as oportunidades de carreira do cônjuge. Os casais devem planear o trabalho remoto ou explorar empreendimentos empresariais (negócios online) para manter a estabilidade financeira.
Locais para famílias em Portugal
Portugal oferece uma variedade de locais adequados para famílias (locais amigos da família) que combinam acessibilidade, segurança e acesso a escolas e comodidades. Aqui estão as melhores opções para famílias com visto D8:
- Lisboa: A capital possui comunidades vibrantes de expatriados, escolas internacionais e espaços de coworking. Bairros como Estoril e Cascais são voltados para famílias, com praias e parques. Aluguel mensal de um apartamento de três quartos: € 1.200–€ 2.000.
- Porto: Conhecido pela sua acessibilidade e charme cultural, o Porto oferece escolas internacionais e zonas familiares como a Foz do Douro. Renda: 800 a 1.500 euros por um quarto com três camas.
- Algarve: Ideal para famílias que procuram um estilo de vida solarengo e descontraído. Lagos e Albufeira têm escolas internacionais e redes de expatriados. Aluguer: 700 a 1.200 euros.
- Madeira: A Digital Nomad Village, em Ponta do Sol, oferece apoio comunitário, escolas e paisagens deslumbrantes. Aluguer: €600–€1.000.
- Braga: Uma opção económica com uma comunidade de expatriados em crescimento e boas escolas. Renda: 500 a 900 euros.
Desafio: Áreas com alta procura, como Lisboa e o Algarve, podem ter disponibilidade limitada de imóveis para aluguel. Use plataformas como o Idealista ou recorra a serviços de relocalização para aluguéis de longo prazo.
Considerações adicionais
- Saúde: Os titulares do visto D8 dependem inicialmente de seguros de saúde privados, mas ganham acesso ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) de Portugal após obterem a residência. O SNS é de alta qualidade e acessível, com opções privadas para médicos que falam inglês.
- Benefícios fiscais: Como o regime NHR já não está disponível para novos requerentes, consulte um consultor fiscal (aconselhamento fiscal) para conhecer as opções atuais relativas a rendimentos estrangeiros.
- Idioma: Embora o inglês seja amplamente falado nas áreas urbanas, aprender português básico em escolas como o CIAL Centro de Línguas melhora a integração, especialmente para matrículas escolares e burocracia.
- Comunidades de expatriados: Junte-se a grupos como Expats in Portugal para networking e apoio com matrículas escolares ou alojamento.
- Caminho para a cidadania: Após cinco anos de residência, as famílias podem solicitar a residência permanente ou a cidadania portuguesa, sendo necessário um teste de português de nível A2 (teste de português A2). Os recém-nascidos de pais com um ano de residência podem se qualificar para a cidadania.
Superar os desafios comuns
- Burocracia: A burocracia portuguesa pode ser lenta. Contrate um advogado de imigração ou utilize serviços como o Movingto para agilizar o processo.
- Inscrição na escola: As vagas nas escolas internacionais esgotam-se rapidamente. Contacte diretamente as escolas e obtenha atempadamente um comprovativo de residência.
- Alojamento: Os arrendamentos de longa duração exigem um número de identificação fiscal português (NIF) e comprovativo de rendimentos. Comece a procurar com 3 a 6 meses de antecedência.
- Emprego do cônjuge: Planeje oportunidades de trabalho remoto ou explore plataformas freelance para contornar as restrições locais de trabalho.
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Declaração de exoneração de responsabilidade
As leis e políticas de imigração mudam frequentemente e podem variar consoante o país ou a nacionalidade. Embora nos esforcemos por fornecer informações exactas e actualizadas, recomendamos que faça a sua própria diligência ou consulte fontes oficiais. Pode também contactar-nos diretamente para obter as orientações mais recentes. O Jobbatical.com não será responsável por decisões tomadas com base nas informações fornecidas na publicação acima.







